Primeira unidade de queima de lixo para energia será construída em 2017 em SP

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Chamada de Unidade de Recuperação Energética (URE), a primeira planta de queima de lixo urbano para geração de energia elétrica deve começar a ser construída ainda no primeiro trimestre de 2017, na cidade de Barueri, no estado de São Paulo.

Esta planta segue o mesmo modelo das usinas de países como Suécia, Noruega, Países Baixos e Alemanha. Em inglês, esse tipo de geração de energia é chamada de Waste to Energy (WTE), ou “Lixo para Energia”.

Na planta brasileira, os resíduos sólidos são queimados com a técnica chamada Mass Burn, ou seja, não requer nenhum tratamento prévio ou separação. Estes resíduos sólidos entram em combustão, gerando vapor que movimenta turbinas da mesma forma que uma usina termoelétrica faria. Parte da energia elétrica gerada é usada na própria planta, enquanto 87% segue para as redes de energia da cidade.

A URE de Barueri terá capacidade total de 825 toneladas de resíduos sólidos por dia, com geração de energia elétrica de 17.5 MW/h, sendo que 15MW/h serão exportados, suficiente para 8 mil residências.

Sem odor

A principal vantagem desse tipo de gestão de resíduos sólidos urbanos é que há baixa emissão de ruído e de odores, o que permite sua localização dentro das cidades. Algumas das usinas deste tipo estão no centro de cidades como Mônaco, Minneapolis e Vienna. A maioria dos turistas não sabe, mas em Paris, há uma planta WTE localizada a poucos metros da Torre Eiffel.

Assim, não é necessário transportar todo o lixo para regiões distantes de onde o lixo é gerado. De todo o volume de lixo que entra na usina, apenas 5% não pode ser aproveitado e é descartado no aterro sanitário.

Para garantir que não haverá contaminação do ar pela planta, há um sistema seco de tratamento de gases de combustão que remove componentes ácidos, metais e dioxinas dos gases de combustão e filtros de mangas retiram poeira e partículas. Na usina de Barueri, o controle de emissões será disponibilizado online para a população.

Por que demorou tanto?

Entre tantas vantagens, por que essa tecnologia de geração de energia renovável ainda está prestes a ser instalado no Brasil? Enquanto engatinhamos, a França já conta com 126 usinas deste tipo e a Suécia já está ficando sem lixo para queimar em suas plantas.

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Verde: reciclagem; amarelo: incineração; vermelho: aterro

Segundo Daniel Sindicic, engenheiro mecânico e doutor em combustão pela USP e autor do livro Gestão de Resíduos Sólidos no Brasil – visão crítica e propostas sustentáveis, há três motivos para a demora na instalação desse tipo de usina no Brasil: “ignorância, despreparo do empresariado e um Estado que não fomenta esse tipo de geração de energia”.

Ele explica: “Há muita desinformação. Quando se fala em combustão de resíduos, já aparecem ONGS de proteção ao ambiente ou a catadores que têm causas políticas. Essa é a tecnologia mais segura de queima de qualquer combustível para geração de energia”.

O engenheiro aponta que essa tecnologia não significaria a diminuição da reciclagem, e que os dois tipos de gestão de resíduos podem se complementar. “Já foi comprovado que países com esse tipo de tecnologia são os que mais reciclam. Os que menos reciclam são os que não adotam a tecnologia”.

A Alemanha, segundo dados da Eurostat 2016, recicla 64% de seu lixo, incinera 35% e apenas 1% vai para aterros sanitários. Na Suécia, essa proporção é de 55% reciclagem, 44% incineração e 1% aterros sanitários. Por outro lado, países com poucas usinas de WTE, como a Romênia, reciclam apenas 16% do lixo, incineram 2% e 82% vão para aterros.

Alexandre Citvaras, consultor da Foxx Haztec, a empresa responsável pela operação e manutenção da Unidade de Recuperação Energética de Barueri, lembra que a lei brasileira deixa bem clara a ordem de prioridade da gestão do lixo urbano: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição. “O município tem um plano municipal de gestão integrado de resíduos para contemplar as exigências da lei”, diz ele.

Por isso, as cidades ideais para implantação desse tipo de usina são as grandes regiões metropolitanas, onde há falta de aterros sanitários, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Já nas cidades menores, com menos de 1 milhão de habitantes, a melhor alternativa atual é a reciclagem e aterros sanitários.

Outro argumento para tranquilizar aqueles que temem que as usinas de queima de lixo são prejudicar a reciclagem, segundo Citvaras, é que a triagem, reciclagem e compostagem sempre têm um alto nível de rejeito, que pode ser enviado para as usinas ao invés de seguir para lixões e aterros sanitários. “A combinação das tecnologias consegue possibilitar a reinserção da energia na cadeia produtiva”, defende.

Despreparo do empresariado

O segundo motivo para a demora da implantação dessa tecnologia, segundo Daniel, é o despreparo do empresariado brasileiro. “As empresas de aterro mexem com lixo. Esse pessoal tem vivência de enterrar o lixo, e não de gerar energia limpa. Eles têm medo de sair de uma situação cômoda para mexer com máquinas de alguns milhões. Vai de um rendimento de R$100 milhões por ano para R$1 bilhão por ano. Eles se apavoram”, analisa ele.

Excesso de burocracia para investimento

Já o terceiro motivo apontado pelo especialista é a falta de colaboração do Estado. “As burocracias no Brasil são terríveis para quem quer investir. O estado não facilita esse tipo de tecnologia. Mesmo com mais de 800 plantas desse tipo em funcionamento no mundo todo, tem que provar que são seguras como se fosse a primeira do mundo. As licenças são demoradas. Não há política de gestão inteligente”, argumenta.

Segundo o consultor da Foxx Haztec, a planta de Barueri já tem as licenças de instalação e as obras começam no primeiro trimestre de 2017, com duração prevista de 24 a 30 meses. Há outros projetos de Usinas de Recuperação Energética em andamento em outras regiões do Brasil, como a de São Bernardo do Campo, que está em fase de licenciamento.

Fonte: Hype Science

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