Projeto de horta comunitária leva permacultura à periferia

permacultura

Uma horta comunitária pode trazer diversos benefícios à sociedade. Quando não bem executadas, porém, podem oferecer riscos à comunidade. Para que fique no primeiro grupo, é necessário que, mais do que plantar alimentos, evite-se o uso indiscriminado de fertilizantes, aproxime-se a comunidade e compartilhe-se conhecimento e cultura. É o que projetos como o Quebrada Sustentável se propõem a fazer.

O Quebrada Sustentável é um projeto ambiental socioeducativo no bairro de União de Vila Nova, subdistrito de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Em parceria com o Instituto Nova União, a organização cuida do Viveiro Escola União de Vila Nova, uma horta comunitária que vai muito além da terra.

O viveiro funciona em um terreno cedido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Além da horta orgânica e da estufa, eles fazem compostagem, oficinas culturais, saraus e vivências relacionadas a ecologia.

“Esse tipo de projeto aproxima as pessoas por vários motivos: cuidar do espaço público, promover a convivência comunitária e cuidar da saúde ambiental. As cidades, especialmente as periferias, estão devastadas. Não há muitas árvores, são regiões desérticas — muitas vezes cheias de pontos de descarte de entulho”, diz Marcus Vinicius de Moraes, permacultor, educador ambiental, e um dos responsáveis pelo projeto. Ele pontua os ganhos sociais e culturais de um projeto como esse na periferia.

Os benefícios que uma horta comunitária pode trazer
“Há um resgate de conhecimentos. Muitas pessoas que vivem na periferia vieram da roça. E esses são espaço para resgatar essa memória e vivência, trocar conhecimentos, produzir alimento saudável, sem veneno”, Marcus Vinicius.

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Diferente de alguns casos contemplados pelos estudos comentados, no Quebrada Sustentável os alimentos são plantados sem agrotóxicos. Marcus diz que é uma oportunidade de levar alimentos orgânicos ao público que, normalmente, não teria acesso a eles. “Muitas vezes fica inacessível para quem vive na periferia porque existe um nicho de orgânicos caro. Além de plantarem para comer e de fazer em casa, as pessoas podem vender no bairro um alimento de verdade a preço popular e acessível”, explica.

Esses alimentos são levados a outras organizações, como o Instituto Chão, na Vila Madalena, que vende orgânicos a preços de custo. Em eventos internos, eles também são comercializados por uma moeda própria. “Quando fazemos sarau, por exemplo, fazemos uma feira de economia solidária na qual pessoas da comunidade e de fora podem levar sua produção e vender no dia. A gente usa uma moeda social, que chamamos de ‘quebradinha’, e que gera um fundo rotativo solidário para cuidar dos espaços”, comenta.

Sobre os ganhos ambientais, ele comenta que, além de deixar a região naturalmente mais verde, eles distribuem sementes crioulas (que não foram modificadas geneticamente) pelo bairro. “A arborização deixa tudo mais bonito, gera flores e ainda atrai polinizadores — sem eles nossa alimentação é afetada”, lembra.

Dentro do viveiro, ainda promovem campanhas de gestão de resíduos — levando o que é reciclável para cooperativas e o que é orgânico para a compostagem. Também fazem cosméticos naturais e captação de água da chuva para reaproveitar no plantio — e justamente não correrem o risco de gerarem um impacto ambiental negativo.

Fonte: Free the Essence, por Kaluan Bernardo

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